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Jochen Maria Bustorff - Luto e Luta

Jochen Maria Bustorff - Luto e Luta

Eu Vim de Longe

2025-10-1000:41:20

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Jochen Maria Bustorff cresceu numa Hamburgo debaixo de cinzas no pós-guerra. Com pouco interesse em fazer carreira, abandona os estudos de pintura, arranja empregos ocasionais e viaja pelo sul da Europa. Vem pela primeira vez a Portugal em 1971, por ter uma namorada portuguesa e regressa algumas vezes ainda antes do 25 de abril. Recebe a notícia da Revolução de Abril em Hamburgo e através de uma bolsa de estudos para estudar arte popular vem para Portugal em 1975, mais concretamente para o Porto. É no Porto à porta da prisão de Custóias, numa manifestação em solidariedade com os civis e militares presos na sequência do 25 de Novembro, que morre, atingido por disparos da GNR, um manifestante alemão, o seu amigo, Gunter Bruns. Esta morte vai abalá-lo profundamente e quando descobre o diário Bruns, com os apontamentos das semanas que passou na Cooperativa Estrela Vermelha em Santiago do Cacém, resolve visitar a cooperativa e começa a interessar-se pela reforma agrária. Junta-se à Cooperativa A União Faz a Força e mais tarde à Estrela Vermelha, onde permanece cerca de dois anos, entre 1976 e 1977, realizando todo o tipo de trabalhos agrícolas e pertencendo inclusivamente, na primeira, à comissão de trabalhadores. Em 1977 é alvo de uma denúncia e procurado pela polícia, numa altura em que já está em marcha o desmembramento da reforma agrária, e deixa as Cooperativas e o Alentejo com um sabor agridoce, pois, como diz “Tinham sido os anos mais felizes da minha vida”. 

Jochen Maria Bustorff grew up in a post-war Hamburg under the ashes. With little interest in a career, he abandoned his painting studies, took odd jobs and travelled around southern Europe. He came to Portugal for the first time in 1971, because he had a Portuguese girlfriend, and returned a few times before the 25th of April. He heard about the April Revolution in Hamburg and, thanks to a scholarship to study folk art, came to Portugal in 1975, to Porto to be precise. It was in Porto, outside the Custóias prison, during a demonstration in solidarity with the civilians and military personnel arrested following the 25th of November, that a German protester, his friend Gunter Bruns, was killed by gunfire from the GNR. This death would deeply affect him and when he discovered Bruns' diary, with notes from the weeks he spent at the Red Star Cooperative in Santiago do Cacém, he decided to visit the cooperative and began to take an interest in agrarian reform. He joined the A União Faz a Força Cooperative and later the Estrela Vermelha, where he remained for two years, between 1976 and 1977, carrying out all types of agricultural work and even being a member of the workers' committee in the former. In 1977 he was the target of a complaint and was sought by the police, at a time when the agrarian reform was already underway, and he left the Cooperatives and the Alentejo with a bittersweet taste, because, as he said, “They had been the happiest years of my life”.

Ficha Artística
Texto, dramaturgia, selecção musical e narração: Isabel Mões
Voz actor: Luís Miguel Nunes
Voz depoimentos: Ana Ascenção Batista
Extratos sonoros dos filmes DEUS PÁTRIA AUTORIDADE/BOM POVO PORTUGUÊS de Rui Simões /LEI DA TERRA do Grupo 0 (gentilmente cedidos pela Real Ficção)
Efeitos sonoros e edição: Margarida Pinto e Rui Dâmaso
Gravações em estúdio: Margarida Pinto
Apoio à produção, comunicação e assessoria de imprensa: Gabriela Frade
Design gráfico de comunicação: Clara Barbacini

Agradecimento: Fundação Mário Soares e Maria Barroso - Jornal Diário de Lisboa