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Augusto Costa - Foi um acaso ou talvez não

Augusto Costa - Foi um acaso ou talvez não

Eu Vim de Longe

2025-10-1000:47:48

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O estudante de teologia, Augusto Costa, vivia no estado da Bahia, no Brasil. Era marxista, mas não estava associado a nenhum partido, participando em grupos de discussão com outros estudantes católicos progressistas. O seu engajamento era sobretudo social, trabalhando em comunidades muito desfavorecidas. Por tentar expor alguns dos crimes da ditadura brasileira acabou por se ver desvinculado da proteção da Igreja e por ter de fugir de barco para a Europa pelo risco de ser preso. Primeiro para Itália, onde trabalhou alguns meses, passando por outros países e chegando a Lisboa em 1976, com o intuito de regressar de novo ao Brasil. Por um acaso, ou talvez não, acaba por conhecer uns jovens que lhe falam no trabalho nas cooperativas do Alentejo e assim parte para a Estrela Vermelha, onde a troco de trabalho tem estadia e comida. Juntou-se aos cerca de 30 estrangeiros, sobretudo alemães e dinamarqueses que ajudavam a Cooperativa naquela altura e presenciou o choque de culturas, por um lado os estrangeiros que tomavam banho nus, dormiam uns com os outros, e os portugueses que ficavam chocados com esta forma de estar. Augusto relata que foi considerado várias vezes subversivo por conversar com as mulheres sobre outras realidades familiares, sobre igualdade, sobre violência doméstica e por dar aulas de alfabetização. Chocava-o um comunismo que permitia uma relação familiar muitas vezes conservadora e abusiva. Por outro lado, sentiu-se em casa, aprendeu a gostar da vida no campo e a admirar a atitude silenciosa e contemplativa dos alentejanos. Mais tarde trabalha na cooperativa Che Guevara, de onde é expulso em 1977.

Theology student Augusto Costa lived in the state of Bahia, Brazil. He was a Marxist, but was not affiliated with any political party, and participated in discussion groups with other progressive Catholic students. His involvement was mainly social, working in very disadvantaged communities. For trying to expose some of the crimes of the Brazilian dictatorship, he ended up being cut off from the protection of the Church and having to flee by boat to Europe because of the risk of being arrested. First to Italy, where he worked for a few months, passing through other countries and arriving in Lisbon in 1976, with the intention of returning to Brazil. By chance, or perhaps not, he ended up meeting some young people who told him about working in the cooperatives in Alentejo and so he left for Estrela Vermelha, where in exchange for work he was given accommodation and food. He joined the 30 or so foreigners, mainly Germans and Danes, who were helping the Cooperative at the time and witnessed the clash of cultures: on the one hand, the foreigners who bathed naked and slept with each other, and the Portuguese who were shocked by this way of life. Augusto reports that he was often considered subversive for talking to women about other family realities, about equality, about domestic violence and for giving literacy classes. He was shocked by a communism that allowed family relationships that were often conservative and abusive. On the other hand, he felt at home, learned to enjoy life in the countryside and admire the silent and contemplative attitude of the people of Alentejo. Later, he worked at the Che Guevara cooperative, from which he was expelled in 1977.

Ficha Artística
Texto, dramaturgia, selecção musical e narração: Isabel Mões
Vozes actores: Céu Jesus e João Ferrador.
Vozes depoimentos: Francisco dos Santos e Virginia Lopes.
Extratos sonoros dos filmes DEUS PÁTRIA AUTORIDADE/BOM POVO PORTUGUÊS de Rui Simões /LEI DA TERRA do Grupo 0 (gentilmente cedidos pela Real Ficção)
Efeitos sonoros e edição: Margarida Pinto e Rui Dâmaso
Gravações em estúdio: Margarida Pinto
Apoio à produção, comunicação e assessoria de imprensa: Gabriela Frade
Design gráfico de comunicação: Clara Barbacini

Agradecimento: Arquivo Histórico da Presidência da República